Investimento reforçado no EFP

 

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu, na abertura do 7.º Congresso da associação nacional de escolas profissionais (ANESPO) que Portugal deve fazer uma “aposta reforçada no ensino profissional”, uma vez que esta se traduz numa condição fundamental para a diminuição do abandono escolar.”Esgotado o impacto da ampliação da obrigatoriedade escolar, essencial para garantir a universalização do ensino secundário, o combate ao abandono fica dependente da expansão do ensino profissional. Sem uma aposta decisiva nesta modalidade, o país não cumprirá a meta europeia à qual se vinculou: diminuir para 10% a taxa de abandono escolar até 2020″, sustentou.

“O ensino profissional não pode ser visto como um ensino de segunda oportunidade, um ensino para os mais carenciados, um caminho a percorrer pelos alunos do insucesso escolar. Esta explicação está ultrapassada. A meu ver nunca teve razão de ser, corresponde a um preconceito social. E os jovens que o digam, e os professores que o digam, e a sociedade que o proclame permanentemente”. É assim preciso “eliminar o que resta de preconceito” em relação ao ensino profissional.

Marcelo Rebelo de Sousa referiu que, no ano passado, “Portugal registou uma taxa de abandono escolar de 14%, o que significa uma subida de três décimas relativamente a 2015”, e citou dados da evolução do peso do ensino profissional em: “2000/2001, 28%, em 2005/2006, 33,5%, em 2010/2011, 42,7% e em 2014/2015, 43,5%”.

“A presente década tem revelado, aliás, a estagnação do peso das vias profissionalizantes no sistema educativo, mostrando o adiamento do objetivo recomendado há largos anos pela, e assumido por vários governos: garantir que pelo menos 50% dos alunos do secundário frequentem estas vias”, lamentou.

O Presidente da República insistiu que “a elevação dos níveis de qualificação dos portugueses, garantindo a universalização do ensino secundário, não se fará sem uma aposta reforçada no ensino profissional”, e defendeu que “é preciso levar mais longe, de forma consistente, esta progressão”.

Segundo o chefe de Estado, é preciso “construir uma rede de oferta formativa de nível secundário atenta ao tecido empresarial”, e “não há que ter complexo” em relação a essa colaboração.

O Presidente da República apela, ao contrário do que tem sucedido, que se dê a devida importância à formação profissional ao sistema educativo português.

Nas últimas décadas Portugal tem apostado num modelo de ensino baseado na igualdade classista, reconduzindo tudo a uma matriz única, sacrificando a experiência das escolas industriais, das escolas comerciais, das escolas de formação agrícola, que eram uma riqueza no sistema educativo português.

Marcelo Rebelo de Sousa assevera assim que é urgente que se perca esta visão simplista, de que todos têm de ser iguais, todos têm de percorrer o mesmo caminho e que todos têm de ter a mesma formação.

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